O marketing em esports deixou de ser uma aposta arriscada para se tornar uma das estratégias mais sólidas no cenário digital. Com audiências massivas, alta taxa de engajamento e um perfil de consumidor jovem e conectado, o setor atrai cada vez mais marcas que buscam relevância no ambiente online.
Enquanto o CPM nas redes sociais tradicionais segue em trajetória de alta — pressionado pela saturação de inventário e pelo algoritmo que prioriza conteúdo pago —, os esports abrem um canal onde o engajamento ainda é orgânico e a atenção do público, genuína.
Torneios de League of Legends, Free Fire e Valorant reúnem mais espectadores simultâneos do que muitas finais esportivas tradicionais. Streamers acumulam comunidades de milhões de seguidores fiéis que influenciam decisões de compra com uma efetividade que a publicidade convencional raramente alcança — sem o custo crescente de disputar espaço em feeds congestionados.
Entender como funciona esse mercado e, principalmente, por onde começar nesse ramo, é o primeiro passo para não ficar de fora das oportunidades presentes no marketing em esports.
O crescimento da audiência gamer
O mercado de games é um dos mais dinâmicos da economia digital e vem crescendo significativamente nos últimos anos. Conforme relatório divulgado pela consultoria holandesa Newzoo, a indústria global de jogos eletrônicos deve atingir US$ 206,5 bilhões, aproximadamente R$ 1 trilhão na cotação atual, até 2028.
Para marcas, esse número importa menos pelo tamanho absoluto e mais pelo que ele representa em termos de acesso qualificado: uma audiência concentrada na Geração Z. Atingir esse público via canais convencionais custa cada vez mais e entrega cada vez menos.
Neste cenário, vale pontuar que o Brasil ocupa uma posição de destaque. Ainda segundo informações da Newzoo, em 2025, o país integrava o top 10 global em faturamento com games, ocupando a 9ª posição do ranking mundial.
Esse avanço também se reflete na estrutura do setor no Brasil. O país conta com estúdios de alcance internacional e iniciativas como a da Abragames, que, por meio do programa Brazil Games, levou mais de 30 empresas nacionais à GDC 2026, em São Francisco — um dos principais eventos globais da indústria.
Além da dimensão do público, seu perfil também chama atenção. Dados da 13ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB) ajudam a entender esse contexto:

Esses dados mostram que a base de jogadores no Brasil não é apenas extensa, mas também economicamente relevante. A forte presença da classe média indica poder de compra real — não apenas audiência passiva.
Já a predominância da Geração Z, por sua vez, é o argumento definitivo para marcas que já perceberam que o alcance nas redes sociais tradicionais encareceu, enquanto a atenção do público jovem migrou para outros ambientes.
Formatos de campanhas em esports
O universo dos esports oferece diversas possibilidades para marcas desenvolverem ações de marketing. Entre as estratégias mais comuns estão:
- Patrocínio de equipes e torneios: associação direta com times profissionais como LOUD, Fluxo ou paiN Gaming. A Melitta, por exemplo, estreou nas campanhas em esports ao fechar patrocínio com a paiN Gaming, em janeiro de 2025.
- Branded content: conteúdo criado em parceria com organizações de esports, integrando a marca ao universo do jogo e dos jogadores. Outro caso conhecido é a parceria entre JBL e paiN Gaming, que gerou 11 milhões de pessoas alcançadas e 17 milhões de impressões orgânicas em 2024.
- Ativações em eventos ao vivo: experiências imersivas em campeonatos e feiras como Gamescom Latam e Brasil Game Show (BGS), que fortalecem o contato direto com o público.
- Product placement em transmissões: inserções orgânicas durante lives, com alto potencial de conversão. 44% dos espectadores da Twitch já compraram produtos recomendados por streamers, segundo a Dentsu — uma taxa de conversão que rivaliza com canais de performance pagos, sem o custo por clique inflacionado. Esse comportamento também gera incrementalidade de alcance, impactando públicos que não são atingidos por mídias tradicionais.
- Colaborações especiais: iniciativas como a Nike no Fortnite e a Fenty Beauty com Arcane mostram como marcas integram produtos a universos de entretenimento — de acordo com levantamento da Mídia Market.
- Experiências interativas e branded games: marcas como Nike, Netflix e Samsung investem em experiências digitais próprias. A Webcore Games, no Cannes Lions 2025, levou dois prêmios nesse tipo de projeto, evidenciando a maturidade do mercado.
Essas estratégias evidenciam que a atuação das marcas nos esports ultrapassa a exposição tradicional, incorporando conteúdo e experiências como parte central da comunicação. A questão principal aqui não é a variedade de formatos — é o fato de que todos eles geram dados.
A evolução das métricas no setor permite rastrear conversão e medir impacto incremental, transformando o que antes era apenas “ação de branding” em inteligência de mídia aplicável a campanhas orientadas à performance. É exatamente o que falta nas mídias tradicionais: CPM que sobe, mas que cada vez menos se traduz em resultado mensurável.
Outro ponto interessante, indicado pela PGB, é que 68,7% dos jogadores brasileiros esperam que as marcas abordem o universo dos games, enquanto 80,2% consideram essencial que essas empresas respeitem a cultura gamer. Nesse contexto, autenticidade deixa de ser um diferencial e passa a ser uma exigência.
Esse movimento de profissionalização e amadurecimento do setor também se reflete em iniciativas estratégicas na América Latina. A Spun Mídia ampliou sua atuação com a aquisição da MIBR e o lançamento da EZOR, vertical dedicada a gaming e esports.
Nesse contexto, a MIBR deixa de ser apenas uma organização competitiva e passa a operar como um laboratório de dados e audiência, permitindo que a EZOR gere inteligência de mídia a partir do comportamento do público gamer.
Mais do que alcance, o valor desse ecossistema está na captura de First-party data qualificado, que alimenta modelos de mídia programática e permite transformar o comportamento da audiência em inteligência aplicada para campanhas orientadas à performance.
Influenciadores gamers
Streamers e criadores de conteúdo atuam como uma das principais pontes entre marcas e o público de games, sendo peças-chave em estratégias de marketing de influência orientadas à performance. Mais do que canais de distribuição, eles exercem influência direta sobre comunidades altamente engajadas.
Segundo estudo da HyperAuditor e Engage em parceria com o Instituto QualiBest, os influenciadores mais lembrados pelos gamers brasileiros em 2025 são:

O ecossistema se divide entre Twitch, YouTube e TikTok — e para marcas, isso representa algo estrategicamente valioso: diversificação de inventário em plataformas onde o algoritmo ainda premia o conteúdo orgânico, e onde o custo de impacto efetivo é significativamente menor do que nos feeds saturados do Meta ou Google Ads.
Vale destacar também o crescimento das experiências imersivas como canal de branded content. A ARVORE Immersive Games, estúdio brasileiro especializado em VR, desenvolveu The Boys: Trigger Warning em parceria com os criadores da série homônima da Amazon Prime.
Dessa forma, o projeto ilustra como propriedades de entretenimento estão sendo adaptadas para o universo gamer, criando novas conexões entre marcas, narrativas e audiências.
Por que investir em esports marketing
A questão não é mais “se” os esports merecem investimento — é por que eles são uma resposta estratégica direta à crise de eficiência das mídias tradicionais. Quando o CPM no Meta e no Google sobe ano após ano e a atenção da Geração Z se fragmenta cada vez mais, as marcas precisam de canais onde o engajamento seja real, o público seja qualificado e o dado seja acionável.
Os números do setor deixam claro o potencial estratégico dos esports para marcas de diferentes segmentos. Entre os principais benefícios:
- Acesso a uma audiência jovem e resistente à publicidade tradicional: a Geração Z consome pouca TV aberta, mas permanece engajada por horas em ambientes como os esports. Alcançá-la via mídia convencional é caro e ineficiente; via esports, é contextual e mensurável.
- Alta taxa de engajamento: ao contrário das mídias passivas, o público gamer interage ativamente com conteúdos e criadores, fortalecendo o reconhecimento da marca.
- Diversidade de formatos e orçamentos: é possível atuar desde grandes patrocínios até microparcerias com influenciadores de nicho, com resultados mensuráveis e alinhados a estratégias de campanhas orientadas à performance.
- Credibilidade por associação: marcas que se posicionam de forma genuína ganham legitimidade em uma comunidade que valoriza autenticidade.
- Crescimento sustentado: com projeção de expansão anual acima de 20% até 2033, o mercado global de esports oferece um horizonte consistente de longo prazo para marcas que investem no setor — segundo estimativas da Straits Research.
- Ecossistema local estruturado: o Brasil conta com estúdios, publishers, agências especializadas e eventos como a Gamescom Latam, facilitando a execução de estratégias integradas.
Marcas que ainda mantêm distância desse universo não estão apenas perdendo relevância — estão pagando mais para alcançar menos nas mídias onde o público jovem cada vez menos está. Os esports não são uma alternativa ao marketing digital, mas sim a resposta mais eficiente à sua inflação.
Com a evolução do setor, iniciativas ligadas ao gaming ganham cada vez mais peso nas estratégias de marketing, especialmente para empresas que buscam crescer de forma escalável sem abrir mão da eficiência.
Por isso, a Spun acompanha esse movimento de perto e contribui com análises e estratégias para marcas que buscam se posicionar de forma mais estratégica nesse cenário em constante transformação.

